Dois ouvidos e uma boca.

Sabe quando você está em um lugar que não queria estar, com pessoas que não gosta, fazendo o que não quer, e ainda tem que dar aquele “sorriso social” para não bancar a chata da história? Pois bem, as vezes eu gostaria de ser uma bruxa, mal humorada, carrancuda, ao invés de ficar tendo que enfiar o meu descontentamento goela abaixo e sorrir. Não quero sorrir, não quero parecer que estou bem. Porque eu não tô, porra.

E que ele não venha me falar que quer me fazer feliz, porque não é desse jeito que vai conseguir. Não é falando, é me ouvindo e me entendendo. E nesse ponto eu sinto que os ruídos na nossa comunicação são enormes. Quando vou ver, estou novamente me sentindo sozinha, mesmo tendo alguém ao meu lado. Paradoxal? Não. A solidão não é sinônimo de estar sozinho, e vice versa.

Eu quero falar. Não, quero gritar. E lhe dizer que, mesmo sem querer e sem perceber, você está me fazendo mal. Cada vez que sinto de novo essa solidão, alguma coisa dentro de mim vai morrendo pouco a pouco. O amor, talvez. E tão silenciosamente que você nem ao menos se dá conta disso.